08 outubro 2008

Livro do Mês: Ao Encontro de Espinosa



Este ano lectivo o GRUPO DE FILOSOFIA em parceria com a equipa da BE apresenta a rubrica LIVRO DO MÊS.





ANTÓNIO DAMÁSIO



Nasceu em Lisboa em 1944. Estudou medicina na Universidade de Lisboa e, em 1974, doutorou-se em neurologia. Encontra-se radicado nos EUA desde 1975. Actualmente é director do departamento de neurologia do comportamento e neurociência cognitiva e do centro de investigação da doença de Alzheimer na universidade de Iowa.

O seu trabalho resulta da perplexidade que o comportamento de alguns dos seus pacientes lhe provoca; desenterra os dados relativos a um individuo, Phineas Gage, descrito por Harlow no séc. XIX, e vítima de uma lesão cerebral interessante. Este indivíduo não mostrava alteração das suas competências cognitivas.
No entanto, após o acidente, o seu comportamento alterou-se. Passou a ser irresponsável, incapaz de tomar decisões, de avaliar em termos de bem e de mal, de se relacionar com os outros, de ter sentimentos, perdeu, no fundo, a sua identidade. Damásio e a sua esposa, Hanna, reconstituíram a trajectória do ferro, recorrendo a uma tecnologia inovadora no campo da imagiologia médica. Identificaram as zonas que tinham sido lesadas e concluíram que a alteração do comportamento de Gage significava que o comportamento social requeria uma região cerebral específica. Em 1994 publica o Erro de Descartes, onde apresenta a ideia de que as emoções e os sentimentos são importantes na tomada racional de decisões. Aprofunda esta ideia, retirando dela novas e revolucionárias implicações, noutras duas obras O Sentimento de si (1999) e Ao Encontro de Espinosa (2002).









AO ENCONTRO DE ESPINOSA


Nesta obra Damásio procura sustentar, recorrendo às neurociências, a ideia de que a mente e o corpo são manifestações da mesma substância. Esta tese já havia sido defendida, no séc. XVII, por Espinosa. Segundo Espinosa a mente humana é a ideia de corpo humano.

Segundo Damásio, a evolução preparou-nos com um repertório de emoções que utilizamos conforme as circunstâncias. As emoções são um meio de avaliarmos o ambiente e de reagirmos de forma adaptativa.

O efeito da emoção é, simultaneamente, um comportamento corporal e um mapa neuronal. A relação entre mapas neuronais e sentimentos é a de que os sentimentos reflectem até que ponto o corpo está a comportar-se adequadamente, tendo em conta o mapa. Os sentimentos permitem-nos que raciocinemos sobre a causa da emoção. Enquanto as emoções se desenrolam no corpo, os sentimentos desenrolam-se no teatro da mente.


Ana Paula Ferreira

13 fevereiro 2008

110 anos do nascimento de Brecht



Esta exposição pretende, de forma não exaustiva e sem muitas pretensões, falar um pouco deste homem do século XX que foi Bertolt Brecht. O tempo em que Brecht viveu foi um tempo de grandes conflitos e também de luta ideológica. Todo o trabalho de Brecht (o teatro, a poesia, o ensaio...) tem um claro cariz político e serve um desejo de mudança social (marxismo) a que sempre foi fiel. Por questões políticas, aliás, Brecht foi forçado a fugir por diversas vezes.
A exposição está dividida em dois grandes blocos, no primeiro aborda-se a importância e o significado da obra do autor; no segundo, a sua vida profissional e familiar.
No plano horizontal, poder-se-ão ler três poemas seus, cada um com a sua cor, distribuídos pelas mesas da biblioteca.
Da exposição consta igualmente um conjunto de livros amavelmente emprestado pela Biblioteca Municipal de Elvas.
Paralelamente à exposição, durante os intervalos a rádio da escola emitirá músicas com poemas seus.
Ocasionalmente a exposição terá como som de fundo o programa Além Tempo, da autoria de Luis Ramos, que foi para o ar recentemente na Antena 2 da RDP.
Colaboraram nesta exposição a professora Paula Monteiro e os alunos: Fábio Neves, José Sinfrónio, Mafalda Martinho, Miguel Lagarto e Rute Palma (12º A); Clemente Pinto, Francisco Paiva e Tiago Marujo (12º C), Denis Strach (10ºJ).

cartaz de uma encenação turca da Ópera de três vinténs

Bertolt Brecht um "clássico" que continua a "fazer-nos pensar"

A actriz Alina Vaz, que integrou o primeiro elenco que interpretou Bertolt Brecht em Portugal, há 30 anos, considera que meio século depois da morte daquele dramaturgo alemão, as suas peças continuam "actuais" e "a fazer-nos pensar".
Para o encenador Jorge Silva Melo, que já levou à cena quatro peças do dramaturgo, Brecht "não só é "actual" como o seu contributo "é determinante para o panorama teatral contemporâneo".

Agência LUSA2006-08-11 10:15:02

23 janeiro 2008

O Livro do Mês / A BÍBLIA


Diz-se Bíblia e está-se dizendo O Livro pois esta palavra nos chegou dos gregos por biblíon. E assim Biblioteca, Bibliografia ou Bibliófilo. No Ocidente, a Bíblia significa O Livro por excelência, profusamente manuscrito e iluminado na Idade Média e o primeiro a sair da impressora de Gutenberg em 1455. Todos os cristãos a reconhecem como Escritura Sagrada, o que a faz transcender para lá dos homens e na alçada directa da inspiração divina.
Para os judeus a Bíblia chama-se Torah e compreende, grosso modo, o Antigo Testamento dos cristãos, o qual se compõe de 46 livros: o Pentateuco que logo pelo nome significa os 5 primeiros textos que vão do Génesis ao Deuteronómio e que, somados aos 16 que de Josué chegam aos Macabeus, perfazem os chamados Livros Históricos; seguem-se os 7 Livros Sapienciais de Job ao Eclesiástico e, finalmente os 18 dos Profetas como o são Isaías, Jeremias, Ezequiel, etc. Os cristãos incluem na Bíblia também o Novo Testamento em 27 livros, tomados como palavra e narrativa do magistério de Cristo: 4 Evangelhos ou Boa Nova, o livro dos Actos dos Apóstolos, as 21 Cartas e o Apocalipse que quer dizer Revelação. Diga-se ainda que apenas dois dos Evangelhos ─ o de Mateus e o de João ─ pertencem a discípulos directos de Jesus Cristo, sendo que a três desses quatro livros se chamam de sinópticos, palavra que a etimologia os faz assemelhar pelo seu idêntico ponto de vista ou óptica narrativa. Já o Evangelho de S.João, “o discípulo amado”, adopta uma perspectiva mais simbólica e espiritual.
Como os judeus não aceitam Jesus Cristo, o Nazareno, como o seu Messias, obviamente não reconhecem o Novo Testamento. Diga-se que no Corão islâmico Jesus é tomado como um dos profetas maiores, só suplantado pela palavra de Maomé.

***
Se a Bíblia fosse apenas um livro com a História do povo judeu, teria a importância relativa que qualquer livro de História tem. Todavia, bem mais que isso, o Judaísmo e o Cristianismo caldearam-se em sínteses religiosas, filosóficas e culturais com o antigo pensamento greco-latino, formando-se por eles toda a rica civilização europeia e, a Europa é como sabemos, a mãe das Américas ainda que também seja, talvez, a madrasta de África. Seja como for, o Ocidente por inteiro não se entende sem a Bíblia.
Outro aspecto decisivo que importa é que a leitura e interpretação deste magno Livro, continua hoje a repetir-se criativa e diariamente em todo o mundo dentro do contexto das intervenções litúrgicas cristãs e judaicas. Todos os dias a Bíblia é lida e meditada. Todos os dias é fonte de vida e manancial para o espírito de milhões de pessoas.
A Bíblia é mesmo tomada como a própria Palavra de Deus, o Criador fala-nos por ela explicitamente como de forma implícita o faz pela Criação. Há mesmo milhares de livros de teólogos, filósofos ou simples crentes aprofundando muitos dos seus textos ou uma só frase, ou até mesmo uma única palavra, como é o caso do Zohar judaico ou da Cabala, incluindo a Cabala cristã.
A Bíblia é pois um rio imenso, um caudal largo que dá e recebe muitos cursos da água espiritual entre os homens. Onde vai dar este rio? Não o sabemos, mas os que lêem e meditam este Livro crêem que um dia desembocará na foz da História humana e no mar infinito de Deus.

11 janeiro 2008

Em construção

Mensagem experimental para testar a apresentação do blogue.